NA CCB A MULHER NÃO PODE USAR CALÇA COMPRIDA

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NA CCB A MULHER NÃO PODE USAR CALÇA COMPRIDA

Mensagem  reformaccb em Ter Fev 23, 2010 7:11 pm

É comum na CCB se ouvir dizer que a “doutrina” proíbe a mulher de usar calça comprida.


Dizem que é pecado, porque é roupa de homem, e a Bíblia proíbe mulher usar roupa de homem e vice-versa.


Vejamos o texto bíblico no qual se baseiam:


“Não haverá trajo de homem na mulher, e não vestirá o homem vestido de mulher: porque, qualquer que faz isto abominação é ao Senhor teu Deus.” – Deuteronômio 22:5


Pois bem, baseados neste versículo isolado a CCB proíbe as mulheres de usarem calça comprida.


Mas analisando essa passagem das Escrituras à luz da Hermenêutica Bíblica (ciência da interpretação do texto bíblico), será que esse texto é normativo para a Igreja do Novo Testamento e para todas as nações em todos em tempos?


Ou será que isso era apenas um uso e costume local e temporal, que poderia ser suprimido ou mesmo alterado, conforme o contexto cultural de cada povo ou etnia espalhado pelos 4 cantos da Terra?


A CCB diz que é normativo para sempre, pois Deus não muda; mas será que esse era realmente o propósito de Deus ao inspirar Moisés a redigir esse mandamento na Lei de Deus, que fazia parte do Antigo Testamento?


Muita polêmica e confusão existe em torno desse assunto, e é para dirimir dúvidas e controvérsias que nos propomos a analisar essa questão que há muitas décadas vem causando tanta divisão no meio do Povo de Deus.


Uma das regras básicas da hermenêutica bíblica é: - Todo texto fora do contexto é pretexto para heresia.


Vejamos a conclusão de um pesquisador cristão sobre esse assunto:

“Há calça-comprida feita exclusivamente para mulher. Ou seja, é calça de mulher, feita para mulher, logo não é "traje de homem". Pode haver semelhança, como camisas que são semelhantes. Notamos que esta passagem de Deuteronômio 22:5 faz alusão aos que queriam usar as roupas do sexo oposto, talvez numa intenção de homossexualismo. Leia o que diz: "Não haverá traje de homem na mulher, e não vestirá o homem vestido de mulher..." Portanto, eles sabiam qual era a roupa de homem, e qual era a roupa de mulher! O que poucos pregam é que esta é uma lei do Velho Testamento, da mesma forma que a lei ordenava apedrejar mulheres pegas em flagrante de adultério, como está no evangelho de João capítulo 8:

"Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?" (João 8:5)

Veja que Moisés havia ordenado. E realmente está no livro de Levítico 20:10. Mas estava aonde? Na lei!!!! Os livros de Gênesis a Deuteronômio fazem parte do pentateuco, os livros da lei. Isso significa que devemos abolir o velho testamento? Claro que não, pois no Novo Testamento, que significa Novo Pacto, Nova Aliança, se esclarece o que estava no Velho Testamento, como é o caso de João 8.

"Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra".

Jesus chama de "acusadores" os que queriam apedrejar a mulher adúltera. Atualmente muitos vivem apedrejando o seu próximo, condenando por aparências, doutrinas de homens. Veja que advertência faz o nosso Mestre! Jesus não condenou aquela mulher que estava em adultério, pega no flagrante. O Senhor a avisou para não pecar mais, claro. Mas não a condenou! E hoje muitos querem condenar um irmão apenas por aparências. Misericórdia!!!

Do que adianta a mulher usar a saia, e usá-la justa demais ou curta? Não está a pessoa se vestindo pior do que a que usa uma calça-comprida decente?! Será que esta "doutrina" prevalece em todos os lugares do mundo? Então vejamos: Em Moscou, capital da antiga União Soviética, a temperatura chega a -40 Graus abaixo de zero. Isso mesmo. Um frio tão grande que muitas pessoas morrem somente de frio. Será que alguma "irmã" usaria a saia em Moscou?

Se a calça-comprida é "traje de homem" seria inaceitável usá-la por debaixo da saia, devido ao frio. Ou vestiria o "pecado" por causa do frio? A palavra santificação significa separação. A pessoa que se santifica, ela se separa do mundo e suas práticas pecaminosas. Se despoja do velho homem, que deseja o pecado, a prostituição, as bebedeiras, os vícios, as orgias, etc. O "velho homem" é o velho querer, as antigas vontades do pecado. Efésios 4:25-31 explica bem essa parte. Se você falava mal do seu próximo, não irá falar mais, pois você estará santificando os seus lábios.“- (extraído do artigo “A sã doutrina – doutrinas x costumes – Pr. Denis de Oliveira – Assembléia de Deus – Ministério Poder de Deus - disponível na Web)


Como bem frisou o Pr. Denis, essa passagem fazia parte do contexto da Lei, onde cada detalhe do cotidiano do povo de Israel era orientado através de ordenanças dadas por Deus através de Moisés.

Com o advento do Messias Jesus Cristo findou-se a Lei como aliança normativa para o povo de Deus, e estabeleceu-se a Graça de Jesus Cristo (não confundir com a “graça CCB”).

Consideremos ainda o comentário apologético do Pr. Ricardo Gondim, da Assembléia de Deus Betesda, registrado em seu livro “É Proibido”:

“Calças compridas à luz de Deuteronômio 22:5

Há igrejas que proíbem, terminantemente, às mulheres o uso de calças compridas. Utilizam, como argumento para validarem essa proibição, o texto de Deuteronômio 22:5. Leiamo-lo:

A mulher não usará roupa de homem, nem homem veste peculiar à mulher; porque qualquer que faz tais cousas é abominável ao Senhor teu Deus.

É extremamente difícil estabelecer, primeiramente, quais eram as diferenças entre as vestes masculinas e femininas nos dias de Moisés. As palavras hebraicas originais usadas para denotar casaco, capa, cinto, são empregadas indistintamente tanto para designar vestes masculinas como femininas. Diferenciava-se o gênero de uma vestimenta com parâmetros diferentes dos nossos. Muitas vezes as roupas de um homem e de uma mulher eram exatamente iguais. Distinguia-se uma da outra, unicamente, pela finura do tecido usado para confeccionar as roupas das mulheres.

Daí partimos para o nosso primeiro argumento: O que uma sociedade estabelece como indumentária masculina e feminina não vale necessariamente para outra região geográfica. As roupas das mulheres da Palestina podem não transparecer feminilidade noutro país; em nossa cultura, por exemplo, iriam ser consideradas muito pouco femininas. Um homem que usasse, aqui no Brasil, aquilo que os beduínos consideram ser roupa masculina, certamente seria alvo de risos e provocações. Por outro lado, alguém vestido de bombachas gaúchas nas ruas de Nazaré, também seria o centro de todos os olhares da cidade.

Não compete ao Espírito Santo designar quais roupas são masculinas ou femininas; isso é convenção cultural, portanto humana. O índio do Amazonas ostenta sua masculinidade com um certo tipo de cor pintado nas maçãs do rosto. Na Escócia, saias de lã, traspassadas e seguras por um grande alfinete são traje de guerreiro.

Em segundo lugar, deve-se observar que as roupas e tradições também variam de geração para geração. Aquilo que se determinava como roupa masculina duzentos ou trezentos anos atrás, pode ser hoje um traje muito afeminado, como é o caso das calças justas usadas por navegadores, ou dos brincos que os piratas (os quais eram tudo, menos afeminados) ostentavam nas orelhas.

O que era considerado vestimenta masculina algum tempo atrás é permitido hodiernamente às mulheres, sem que com isso elas estejam masculinizando-se. O caso mais típico dessa argumentação vem das calças compridas.

É verdade que as calças compridas eram roupas de homem ainda no começo deste século (esse livro foi lançado em 1998, portanto refere-se ao início do século XX – Nota da Reforma CCB). Como as mulheres passaram a trabalhar fora de casa e necessitavam de roupas fortes que protegessem suas pernas do frio e dos acidentes de trabalho, o uso acabou sendo inevitável. Inicialmente, causava inquietação e gerava muita tensão; porém, como o costume não advinha de uma tentativa de masculinização, mas sim da carência de proteção, logo pôde contar com o consentimento da sociedade. Veja que uma necessidade social e não moral provocou essa mudança no comportamento das pessoas. Hoje as calças compridas já nem são mais roupas masculinas, e sim neutras em seu gênero ou epicenas, isto é, podem ser usadas tanto por homens como por mulheres.

Há outras vestimentas que também são neutras e não trazem qualquer inquietação, como por exemplo: as sandálias, dessas de borracha que usamos entre os dedos; as camisetas de malha, utilizadas tanto por homens quanto por mulheres cotidianamente; certos tipos de casaco, usados para nos protegermos do frio; e até mesmo alguns modelos de armação de óculos de grau. Hoje, o que designa uma calça masculina ou feminina pode ser a cor (no Brasil uma calça de cor rosa é sempre para mulher) ou o zíper (convencionou-se que uma calça com fecho traseiro ou lateral é sempre para mulher).

Sendo assim, quando Deus ordena que a mulher não se vista com roupas de homem, ele não está escolhendo certo tipo de roupa, mas apenas rechaçando o travestismo. O ideal de Deus é que os homens e as mulheres queiram ser homens e as mulheres desejem ser mulheres. A mensagem de Deuteronômio 22:5 trata de princípios, e não de uma lei sobre moda.” – (É Proibido – O que a Bíblia permite e a Igreja proíbe – Editora Mundo Cristão – 1998 - págs. 91, 92 e 93).

À luz desses comentários e da hermenêutica bíblica podemos perceber que todo esse legalismo com roupas que a CCB apregoa é uma grande falta de informação e conhecimento bíblico.

Cultura é uma coisa, doutrina é outra. Cada povo tem a sua cultura, porém a Bíblia possui mandamentos que se podem aplicar em toda e qualquer cultura.

Costume é uma coisa, doutrina é outra. Cada povo tem seus costumes, que variam geograficamente e também através dos anos.

Uma coisa que em épocas passadas eram proibidos pela cultura e costume da época hoje pode ser aceita sem nenhum problema, pois os costumes são transitórios, enquanto que a doutrina bíblica é permanente, pois está na ordem do absoluto e não do relativo.

Pecado é pecado em qualquer cultura e em qualquer época:

- Matar é pecado em qualquer país e em qualquer época.

- Adulterar é pecado em qualquer país e em qualquer época.

Portanto, irmandade, vamos crescer na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Pedro 3:18), e deixar de lado esse legalismo e a guarda de referidos costumes, que são doutrina de homens, ao invés de Doutrina de Deus.

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